07 janeiro, 2007

Nada mais a fazer

Quem, como eu, viu hoje o jornal da uma da tarde na SIC pôde apreciar os dotes do nosso presidente da república como contador de histórias de café. Tudo isso veio a propósito do aniversário do Martinho da Arcada.


Ora tal intervenção levanta em mim a pergunta se daqui a uns tempo não o veremos a mencionar com saudade o Biolitro que parava no igualmente conhecido café "Piolho" do Porto, ou a mencionar os chás sem fumo que as tias de todo o país aprecia(va)m. Não deixa de ser interessante como o nosso presidente considera normal e elogioso que os empregados peçam a quem menos consome que se coloque numa mesa "mais recatada" para que os melhores clientes possam encontrar o seu assento nas mesas centrais, de melhor visibilidade. Talvez seja esta a consequência directa de um curioso rebaixamento das funções presidenciais. Restará então saber quem o maior culpado desta triste figura: se o café que se acha merecedor de ter um presidente por entertainer se uma presidência da república que se presta a tais serviços.

Mas a parte mais interessante deste dia presidencial não é tanto a sua maior ou menor predilecção pelas bicas ou os lanches que o (à época) estudante pagava com o dinheiro do inicio do mês. O mais interessante foi o comentário feito por Sua Excelência à sua própria decisão de promulgar a lei das finanças locais. Citando o próprio, depois de o tribunal constitucional ter conferido a conformidade do decreto lei, não havia mais nada a fazer que não fosse aprovar o decreto. Há coisas que se podem dizer quando somos fracos, e há coisas que se podem dizer quando somos fortes. Assumir que não havia nada a fazer é das coisas que nunca se podem dizer quando, sendo forte ou fraco, temos que desempenhar o papel de forte. Deixa a sensação de impossibilidade, de ter os pés e as mãos atadas, de conformismo ao papel meramente técnico de um tribunal que ainda assim admite que hajam pessoas com iguais rendimentos e deduções a pagar diferentes valores de impostos consoante as politicas dos seus municípios.

E assim vamos, com este português suave a queimar na presidência, incapaz de viver para além da letra morta de uma qualquer constituição...

1 comentário:

Anónimo disse...

Nada mais a fazer é um mau sinal, quer se seja a favor ou contra o caso concreto da lei das finanças locais.