20 novembro, 2006

Cavaco e Sócrates

Desde há uns tempos que andávamos a desconfiar de tantas trocas de mimos entre S.Bento e Belém. Afinal, a maioria dos votantes nas últimas eleições esperava uma coisa: estabilidade. E neste país onde se grita Povo! Povo! Mas o povo nada decide e passa a bola para a comunicação social, que entre o sorriso, o discurso e o potencial para gerar reportagens, vai dando melhor ou pior imagem de cada um.

Acontece que, tanto nas eleições legislativas como nas presidenciais, deu-se o caso de a malta ter decidido votar por quem lhes garantisse uma maior estabilidade. Conheço malta de direita (não só um ou dois) que votou no PS apenas para garantir que o governo não ia cair nos próximos anos. Ainda não tive a oportunidade para ver desses, quantos agora se arrependem do que fizerem – mas sobre as questões do arrependimento irei falar mais daqui a uns momentos. Já nas eleições presidenciais, o nosso Cavaco teve a feliz ideia de garantir no seu discurso pós eleitoral a banição de quaisquer eleições para os próximos três anos. Ou seja: quem fez merda na mesa de voto, agora vai ter que aturar o cheiro até virem novas urnas e hajam novas votações.

Desta vez, povo e poder tiveram a mesma ideia: estabilidade. Por isso, as trocas de mimos que desde o inicio começamos a ver entre Cavaco e Sócrates e que nesta última semana tivemos a oportunidade de ver confirmada e maximizada pela entrevista que o nosso presidente se dignou a dar. Assim, à estabilidade que os eleitores sonharam – e que lhe foi prometida – (estabilidade económica, mais dinheiro nos bolsos, menos impostos e um estado mais leve) caiu-lhe a máscara e revelou-se a sua natureza. Temos agora estabilidade que chegue para todos os titulares de cargos públicos, que durante três anos poderão ver os seus postos confirmados e crismados sem outro tipo de barómetro politico que não seja um referendo que de político pouco ou nada tem.

Quanto a mim, começo a pensar que teria havido mais oposição ao governo se Manuel Alegre tivesse sido eleito... enfim... ironias.

1 comentário:

mac disse...

As medidas que o Governo está a fazer, nada mais são do que a continuação das medidas cavaquistas. Mais elaboradas, o ataque (disfarçado e medroso) a alguns lobbies poderosos, mas o fundo é o mesmo. Por isso, nunca poderiam discutir. Pertencem à mesma escola.