04 novembro, 2006

Agências para Rentabilizar

Falou ontem o ministro António Costa à Assembleia da República anunciando a criação de uma nova entidade responsável pela rentabilização dos meios aéreos do serviço nacional de Bombeiros e Protecção Civil, ou, se preferirmos a nomenclatura nova, da Alta Autoridade da Protecção Civil.

Como sabemos, nos dias que correm a divulgação da informação sobre calamidades é cada vez mais lenta. Quem sabe, talvez os editores de jornais estejam a ponderar deixar de dar notícia de cheias, incêndios e tremores de terra com medo que o aumento das receitas de venda venha a prejudicar a salvação das suas alminhas. Ora, se até hoje não temos notado nenhuma evolução no modo como os jornais e televisões dão noticia das catástrofes, o nosso estimado ministro decidiu que era bom precaver a rentabilização dos bens públicos que ainda estão para vir da Rússia e criar já uma agência para a rentabilização dos mesmos. Estamos a falar de director, sub-directores, agentes operacionais, secretárias, telefonistas, e os indispensáveis assessores, tudo malta cuja finalidade é indagar sobre as catástrofes naturais que vão ocorrendo por este mundo fora e oferecer os nossos meios para aluguer, caso estas ocorram numa altura em que não precisemos deles.

Ora, caro senhor ministro, se é verdade que a rentabilização dos meios do estado é uma mais valia para os nossos cofres públicos. Se é verdade que Portugal deve usar os meios pesados de combate a incêndios florestais para ganhar algum dinheiro durante o inverno alugando a outros países os mesmos. Não entendo como vamos nós (já que o dinheiro público também é meu!) gastar mais dinheiro a manter uma agência pública para a rentabilização desses meios quando podemos simplesmente afectar alguns dos efectivos do quadro da Protecção Civil a essa tarefa básica durante os meses de menor risco.

Talvez fosse boa ideia falar no nome que está pensado para dirigir essa agência, nos nomes dos consultores, dos assessores. Talvez falando disso nos possamos aperceber do que realmente está por detrás desta agência. Mas isso não importa revelar, pois não, senhor ministro?

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