30 outubro, 2006

A Origem

Diz a sabedoria popular que quando fala um português falam logo dois ou três. Esqueceu-se porém o povo que quando dois ou três portugueses se põem a falar há sempre uns outros tantos a desconversar. Depois de ler este post que comenta este outro fiquei interessado em ver como é que a simples evocação de um facto histórico lançou tamanho debate (vejam os comentários ao último).

Tal como o Pedro Arroja do blasfémias, também me sinto bastante orgulhoso pela escola de Salamanca-Coimbra ter, em pleno século XVI assentado as bases do liberalismo. Fico, no entanto perplexo com a quantidade de comentários vindos da parte de pessoas que pensam que um dia o liberalismo apareceu, na sua forma perfeita e definitiva. O liberalismo, tal como o conhecemos hoje é diferente do liberalismo que existia antes da Segunda Guerra Mundial, o qual é bastante diferente do liberalismo do inicio do século XX...e recuando mais no tempo, podemos observar uma linha de evolução das ideias... cujo início pode ser orgulhosamente colocado nas Universidades de Coimbra e Salamanca! Que os teólogos ibéricos ainda não pensavam em termos de individuo, estado, propriedade e direitos universais é um facto. Mas é também importante salientar que muitos desses conceitos têm sido desenvolvidos à custa das teses defendidas por esses teólogos.

Para quem não ainda nada fez pelo avanço da civilização, não fica bem ao mar de comentadores do Blasfémia o julgamento que fazem daqueles que, embora de forma limitada, abriram caminho a uma civilização nova.

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