20 outubro, 2006

The first thing we do, let's kill all the lawyers. (W. Shakespeare)

Saiu, fresquinha, a noticia da absolvição dos 6 arguidos do processo da queda da Ponte de Entre-os-Rios (ver aqui, na edição do público). Ora, fique para memória futura, o nome dos seis bacanos que foram acusados e cuja absolvição assenta em parte num argumento cuja validade irei colocar em causa mais adiante. Ora, os ilustres senhores que aqui se apresentam são os engenheiros Barreiros Cardoso, Soares Ribeiro, Manuel Rosa Ferreira, Baptista dos Santos, Morais Guerreiro e Mota Freitas. Ficarei com estes nomes em má conta e terei bastante interesse em ver se irão constar de alguma nomeação política no futuro (aposto que sim...).

Ora, diz a noticia do Público,

«A alegada existência de modelos matemáticos que na década de 80 permitiriam prever quando é que um pilar podia cair, referida em audiência por um dos peritos, foi desacreditada pelo colectivo de magistrados, pela "falta de certeza científica."»
Considerando que neste país onde a maior parte dos licenciados em direito (que perfazem a totalidade dos nossos advogados e a quase totalidade dos nossos juízes) se orgulha de não entender nada de matemática, de achas a física intragável e a química asquerosa. É bom saber que estes distintos senhores do colectivo de juízes tiveram a lata de opinar sobre o que não é da sua conta. A verdade é que os modelos matemáticos referidos pelo perito efectivamente existem desde os anos 80 e que todo o engenheiro que se preze tem pelo menos consciência da existência de tais modelos. No entanto, suas superexcelências acham que só teria certeza cientifica se os tais modelos matemáticos estivessem descritos em termos de decretos, processos, requerimentos, portarias, e outras putarias que evitam o conhecimento humano de ser posto ao serviço do bem maior que é a justiça.

Se queremos justiça, talvez seja melhor começar a ensinar matemática aos advogados... muitos deles serão capazes de preferir a sentença de Shakespeare...

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