27 outubro, 2006

Ao Sul

Hoje, ao ler isto no Insurgente, lembrei-me que o Portugal-além-Mondego está vivo, bom e de boa saúde. Chamem-me conservador, ou regionalista (embora tenha sempre votado contra as regiões autónomas) mas raramente tomo em consideração qualquer contribuição positiva que o Sul tenha trazido ao bem estar nacional. Não falo apenas dos políticos do Palácio de S. Bento, da gente preguiçosa do Algarve, dos alentejanos que só dormem, dos snobes acéfalos da linha de cascais e do seu contraponto natural: os saloios do Ribatejo. Neste caso, falo dos trabalhadores das indústrias da margem sul, a nova face de um Alentejo falhado.

Na sua existência simples, estes trabalhadores (ou operários, na gíria sulista) conservam a tacanhice de quem diz querer apenas o essencial para viver... ou de quem diz querer viver do trabalho. Em geral, são boas pessoas, mas de muito curta memória, já que ignoram o mundo à volta, a evolução natural das coisas que foi durante anos impedida primeiro pelo estado novo e em seguida pelos movimentos de esquerda. Nesse aspecto, acho o PCP e a união nacional duas coisas muito parecidas nas suas ideias, de manter o povo no seu sítio, de proteger os santos ignorantes, de dar a impressão que tudo tem que se manter igual ao dia da recriação do mundo, quer isso tenha ocorrido a 28 de Maio ou a 25 de Abril. A consequência de ambas as influências sobre a nossa economia são as que vemos: a convivência entre o estado e os grandes grupos económicos é notória, já que uns não conseguem sobreviver sem os outros, os apoios para ideias inovadoras escasseiam, e pensasse que é à força de dar grau académico a mais de 10% da população que vamos sair passar a ser uma sociedade avançada. Olha-se para as tecnologias de informação como se fosse o quinto império etéreo. A falta de formação cultural, tecnológica e cientifica grassa em todos os quadrantes da vida profissional, e – situação de bradar aos céus – há quem apoie abertamente aqueles que se recusam a evoluir, a andar para a frente... quem ache que devemos ficar sempre na mesma...

Nessa mentalidade mesquinha em que os trabalhadores da Alcoa foram depositados pelos seus patronos vermelhos, ai da empresa que precise dos seus serviços! Ai da Autoeuropa! Mas esquecem-se que, se dúvidas havia quanto à preservação do contrato de fornecimento, agora duvido muito que uma empresa como a Autoeuropa queira continuar com a empresa que lhe fez parar a linha de produção.

Pois os meus parabéns à D. Rosário Silva por ter acabado de assinar a certidão de óbito da Alcoa.

1 comentário:

Erva disse...

Devo esclarecer que os saloios são da região de Sintra, portanto terás que arranjar novo adjectivo para os ribatejanos (como eu!)...

Beijinhos,

Vera Santos(bioquímica)